Setur-SP apresenta museus, prédios antigos e casarios, e seleciona sete cidades paulistas para o turista apreciar nossas raízes e origens coloniais
Fortes cujas paredes presenciaram ataques piratas, casarões esplendorosos de fazendas que forneceram café para o mundo, casarios do Brasil Colônia, museus e igrejas. Nesta sexta-feira (17), a data é para relembrar a preservação de centros históricos inteiros e de conjuntos arquitetônicos que recontam os primeiros tempos do Brasil: o Dia do Patrimônio Histórico Nacional.
O território paulista foi onde os primeiros colonizadores se estabeleceram, o que permite ao turista vir a conhecer diversas construções remanescentes desde o “Brasil menino”, no século XVI, bem como museus e casarios antigos. Por isso, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) sugere sete destinos para encher os olhos e os álbuns fotográficos, com passeios ricos e variados.
SÃO PAULO
O Museu do Ipiranga, na zona Sul da capital, reúne acervos que remontam à Independência (1822) e a boa parte da História brasileira. A escadaria possui globos com águas de rios brasileiros, o quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, e relíquias da família imperial. O Museu é vasto e tem um jardim imenso para fazer valer todo o passeio para toda a família. Aberto de terça a domingo. Já no Butantã, na zona Oeste (Pça. Monteiro Lobato, s/n, aberto de terça a domingo), encontra-se a Casa do Bandeirante, cuja edificação, dos séculos XVII e XVIII, traz à tona o tempo dos tropeiros mercadores e dos pioneiros que seguiam o Tietê até os sertões, São Paulo adentro.
Relembrando a Revolução paulista, o Obelisco do Ibirapuera, de 72 m de altura, é o maior representante dos eventos de 1932 em todo o Estado. Trata-se de um mausoléu onde estão os restos de mais de 700 combatentes. Diante do Portão 3 do Parque Ibirapuera, fica aberto de segunda a domingo. No Centro da capital, o Páteo do Collegio remonta às obras dos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, bem como aos primórdios da Vila de São Paulo de Piratininga, fundada em janeiro de 1554. No andar térreo, está a maquete da vila original e, em volta dela, mapas históricos contam a história paulista. O turista vai encontrar também um café e um museu com artefatos jesuítas no andar superior.
BERTIOGA
A primeira fortificação erigida em solo brasileiro tem DNA paulista. Em Bertioga, o Forte São João, conhecido no século XVI como Forte São Tiago, teve sua estrutura levantada em 1536, ainda feito de madeira; 15 anos depois, foi reconstruído em alvenaria, servindo como defesa militar contra piratas e ataques de tribos hostis. O padre Anchieta chegou a pernoitar no forte. Aberto de segunda a domingo, o forte situa-se na Av. Vicente de Carvalho, s/n, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e é administrado pela Prefeitura de Bertioga (a 116 km de São Paulo). Entrada gratuita.
SÃO LUIZ DO PARAITINGA
Ao chegar ao Centro Histórico de São Luiz do Paraitinga (a 176 km de São Paulo) pela rodovia Oswaldo Cruz, entre Taubaté e Ubatuba, a sensação é de entrar em uma cidade cenográfica. Com pousadas para os turistas, principalmente nas duas grandes e tradicionais festas locais (o Carnaval e a Festa do Divino Espírito Santo, quando a cidade fica lotada de gente), as reservas precisam ser feitas com um ano de antecedência. O casario é tombado pelo IPHAN, com fachadas alinhadas e multicoloridas, típicas do século XVIII, refletindo os ciclos dos comerciantes e o apogeu do café. Entre as atrações estão a Matriz e a Casa Oswaldo Cruz.
SANTOS
Para além do jardim da orla da praia de Santos — sua atração recordista —, a cidade também oferece a turistas e moradores um passeio às suas origens. O Engenho dos Erasmos, na Vila São Jorge, é um importante sítio arqueológico e foi um dos primeiros engenhos de açúcar a serem construídos no Brasil por ordem de Martim Afonso de Sousa, no século XVI. O prédio é administrado pela USP e tem visitação gratuita, de terça a sábado, mediante agendamento.
Já no Morro de São Bento, está o Museu de Arte Sacra de Santos (R. Santa Joana D’Arc, 795), no prédio do antigo Mosteiro de São Bento, do século XVII, anexo à Igreja de Nossa Senhora do Desterro, construída em 1631. São mais de 600 peças sacras de cunho popular e erudito que vão do século XVI ao XX, além de pinturas, esculturas e objetos litúrgicos. A imagem mais antiga do Brasil está no Museu: a de Nossa Senhora da Conceição, datada de 1560.
SANTANA DE PARNAÍBA
Estabelecida por volta de 1580, a aconchegante Santana de Parnaíba (a 42 km de São Paulo) é uma das localidades mais antigas do interior paulista. Seu Centro Histórico contém um casario variado, sendo o mais bem preservado conjunto arquitetônico colonial do estado, composto por mais de 200 belas edificações tombadas. O traçado inicial da Matriz, por exemplo, é também de 1580, em honra a Santa Ana (daí o nome da cidade) e, próximo a ela, ao lado do largo da igreja, está o Museu Anhanguera, cujo acervo bandeirante proporciona uma verdadeira volta ao tempo. O Complexo Cultural funciona de terça a domingo, com visita monitorada para grupos. Restaurantes com deliciosa gastronomia e lojinhas nas redondezas completam o simpático passeio.
BANANAL
Monteiro Lobato escreveu sobre as cidades do Vale do Paraíba, onde o café floresceu entre 1830 e 1880. Bananal, que fica a 306 km da capital, em plena Serra da Bocaina, faz fronteira com o Rio de Janeiro e surgiu no final do século XVIII, na época dos tropeiros. A cidade cresceu por conta das fazendas de café, cujos casarões tombados fazem a alegria dos turistas. A Fazenda Boa Vista, por exemplo, funciona como hotel-fazenda, foi fundada em 1780 e serviu de cenário para novelas como Cabocla, Sinhá Moça e Saramandaia. Outras atrações são a estação ferroviária, a Pharmácia Popular (a mais antiga em funcionamento no Brasil), além do próprio Centro Histórico de Bananal.
IGUAPE
Além das grandes festas que acontecem na cidade (o Carnaval e a Festa do Bom Jesus de Iguape, em agosto), o Centro Histórico de Iguape reúne o maior conjunto de casario colonial e de ruas estreitas com paralelepípedos do estado. A estância de Iguape é uma das mais antigas cidades do Brasil, está localizada no Lagamar (litoral sul de São Paulo, a 201 km da capital) e tem arquitetura do século XVIII. O Museu Municipal de Iguape abrange a primeira Casa de Fundição do País, de 1630. Já a Igreja Matriz, a Basílica, é de 1780, e seu largo abriga lanchonetes, restaurantes e lojas. Há outras igrejas na cidade, como as de São Benedito e a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Dia do Patrimônio Histórico Nacional
A data homenageia o historiador Rodrigo Melo de Andrade. Nascido em Minas Gerais em 17 de agosto de 1898, ele foi o maior responsável pelo Patrimônio Cultural no Brasil, consolidando juridicamente o tema e tendo sido o primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), de 1937 a 1967. O dia serve como alerta para que sejam implementadas políticas nacionais para a preservação artístico-cultural no País.