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Mulheres simbolizam a força da floricultura nacional no setor do agronegócio

02/03/2026

Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê de Mulheres Divulgação - foto fornecida pela produtora

No Dia da Mulher, falar de floricultura, não é apenas lembrar que elas gostam – e merecem – ser presenteadas com flores: é falar de um agro que emprega, desenvolve e valoriza o trabalho feminino de forma concreta, cotidiana e transformadora. No agronegócio, a floricultura registra mais da metade dos empregos oferecidos ocupados por mulheres, em toda a cadeia de produção, distribuição e vendas, de acordo com estudos realizados em conjunto com Cepea/Esalq-USP/Ibraflor. Para o setor da floricultura nacional, a data representa 8% das vendas anuais. Em comparação ao ano passado, o aumento deve ser entre 5 e 6% das vendas.

Tereza, produtora caladium Estancia Vitória
Divulgação – foto fornecida pelaprodutora

O setor de flores e plantas ornamentais é hoje o segmento do agronegócio que mais emprega mulheres no Brasil, com cerca de 56% da força de trabalho, chegando a ultrapassar 60% em algumas regiões, segundo dados de pesquisa realizada pelo Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura – em conjunto com o Cepea/Esalq-USP. Por ser intensiva em mão de obra e oferecer atuação em diferentes elos da cadeia, a floricultura criou um ambiente naturalmente favorável à permanência feminina. O protagonismo das mulheres nasce da própria essência da floricultura, que combina técnica, sensibilidade, inovação e relações humanas intensas. Assim, o Dia da Mulher não é importante apenas por representar 8% das vendas anuais para a floricultura nacional, mas para também mostrar a força da mulher neste setor. Este ano as vendas devem ser entre 5 e 6% na comparação com 2025. “Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”, explica a produtora de flores e diretora de mercado do Ibraflor, Raquel Steltenpool, empresária do setor de Flores e Plantas e diretora de Mercado do Ibraflor.

Lideranças femininas

Raquel Steltenpool com o pai Joannes Adrianus Steltenpool
Divulgação – foto fornecida pela produtora

Filhas, esposas, produtoras e cooperadas da Cooperativa Veiling Holambra (CVH), localizada em Santo Antônio da Posse (SP), estão transformando o cooperativismo no setor de flores e plantas ornamentais. Unidas pelo propósito de crescer juntas, elas representam e consolidam um movimento que alia produção, conhecimento e liderança feminina para fortalecer seus protagonismos e impulsionar o crescimento no agro. A iniciativa começou em dezembro de 2019, quando uma das cooperativas mais tradicionais do país convidou produtoras para discutir a criação de um Comitê de Mulheres. A proposta plantou a primeira semente de um projeto estruturado para ampliar a participação feminina na cooperativa. Oficialmente inaugurado em março de 2021, o grupo cresceu de forma consistente e hoje reúne cerca de 140 mulheres. Com encontros periódicos, capacitações, visitas técnicas e participação ativa em eventos nacionais do agro e do cooperativismo, o Comitê promove desenvolvimento pessoal e profissional, incentiva a formação de lideranças femininas e amplia o engajamento nas assembleias e decisões estratégicas. A iniciativa contribui para a construção de um processo natural de ocupação de espaços pelas mulheres dentro da cooperativa, reforçando que o crescimento conjunto fortalece todo o setor. “Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para um processo natural de ocupação de espaços estratégicos pelas mulheres dentro da cooperativa. Ao incentivar conhecimento, integração e protagonismo, o grupo contribui diretamente para o crescimento sustentável da cooperativa e do setor como um todo”, explica a produtora e coordenadora do Comitê de Mulheres, Raíssa Swalmen.

Lucivanda Fernandes Siqueira, produtora Sitio Santo Expedito, Ceará
Niere Jordan

Participação efetiva

Cerca de 45% dos cooperados da Cooperflora são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão de seus sítios, um índice que demonstra a presença expressiva e estratégica da liderança feminina. Mais do que participação, trata-se de protagonismo. As mulheres atuam diretamente na administração das propriedades, na tomada de decisões e na condução das equipes. Na sede da Cooperflora, quase 50% do quadro de colaboradores é composto por mulheres, além das lideranças femininas ocupando cargos estratégicos. Entre os exemplos que traduzem essa atuação está a cooperada Mariela Grisotto, do Sítio Reijers Alegre, que participa ativamente da gestão e conduz uma equipe composta majoritariamente por mulheres. Outro destaque importante é a sócia fundadora Dorian Reijers, do Sítio Flores da Terra, que permanece atuante e representa a base histórica da participação feminina na construção e no desenvolvimento da Cooperflora.

Empreendedorismo feminino na produção de rosas no Ceará

Lucivanda Fernandes Siqueira, produtora de rosas de Ubajara (CE), foi a vencedora do 1º lugar na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025. A gestora da Fazenda Santo Expedito, na Serra da Ibiapaba, destacou-se pela gestão inovadora, turismo rural e produção de rosas com foco em sustentabilidade e impacto social. A premiação, considerada uma das principais do setor no Brasil, valoriza mulheres que transformam o agronegócio por meio de práticas sustentáveis e gestão eficiente.A produtora rural vem consolidando no Ceará, um dos mais inovadores modelos de integração entre agronegócio, sustentabilidade e economia criativa do Nordeste. Professora de formação e atualmente estudante de Gestão de Pessoas e Agronegócio, Lucivanda aplica princípios de educação, capacitação e valorização de equipe no dia a dia da operação e o seu trabalho tem inspirado mulheres empreendedoras e fortalecido o protagonismo feminino no campo.

Ao integrar produção agrícola de alta tecnologia, responsabilidade ambiental, turismo de experiência e economia sensorial, Lucivanda demonstra que é possível transformar uma flor em um modelo sustentável de desenvolvimento regional. A Fazenda Santo Expedito ampliou significativamente sua estrutura produtiva, hoje com 12 hectares de estufas e já com projeto de expansão para 16 hectares, Foram implantados três tanques de armazenamento, além de um sistema de captação de água da chuva com pavimentação intertravada que direciona o reaproveitamento hídrico.As pétalas de rosas que não seguem para comercialização são desidratadas para experiências sensoriais ou incorporadas ao composto orgânico, reforçando o compromisso com o ciclo produtivo consciente. Em 2019, Lucivanda lançou um passeio turístico imersivo pela propriedade para valorizar a cultura da rosa no Ceará. Com duração média de 50 minutos, a experiência apresenta estufas, variedades de rosas, técnicas de cultivo e práticas sustentáveis. O roteiro inclui vivências como montagem de buquê simbólico e escalda-pés com pétalas reaproveitadas. A iniciativa ampliou a percepção de valor da flor na região, fortaleceu o turismo rural da Ibiapaba e impulsionou a geração de emprego e renda local.

Mariela Grisott, do Sítio Reijers Alegre, Cooperflora
Divulgação – foto fornecida pelaprodutora

A partir da demanda dos visitantes por produtos que representassem a vivência na fazenda, foi criada a marca Aromas da Fazenda, especializada em fragrâncias, aromaterapia e cosméticos artesanais. Atualmente, as rosas cultivadas não são matéria-prima direta dos cosméticos — a empresa desenvolve estudos para ampliar o aproveitamento sustentável de espécies como a lavanda, também cultivada para apoiar a polinização da pitaya.O restaurante da fazenda, inaugurado há três anos, valoriza ingredientes e receitas regionais, além de produzir geleias e licores com frutas locais. Com menos de um ano de funcionamento, já há projeto de ampliação da estrutura física para acompanhar o crescimento da visitação. Hoje, a operação conta com cerca de 170 colaboradores na fazenda e 8 na unidade urbana, além de duas lojas físicas — uma na propriedade rural e outra no município de Ubajara.

Trabalho autoral de melhoramento genético

A trajetória de Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória, é marcada por coragem, trabalho e espírito empreendedor. Nascida no interior do Paraná, ela cresceu em uma família simples, onde o trabalho sempre fez parte da vida desde muito cedo. Empreendeu em diferentes atividades comerciais, sempre guiada pelo desejo de garantir estabilidade para sua família e transformar ideias em projetos concretos. Foi há mais de duas décadas que nasceu o sonho que mudaria sua história: criar uma produção própria de plantas ornamentais com identidade brasileira e variedades diferenciadas.vA Estância Vitória está localizada na zona rural do município de Urupá (RO), a aproximadamente 400 km da capital, e consolidada como uma referência na produção e no desenvolvimento de plantas ornamentais tropicais no Brasil. Mesmo sem formação acadêmica na área, Tereza tinha um objetivo que era claro: desenvolver plantas únicas, adaptadas ao clima e ao mercado nacional, valorizando qualidade, inovação e beleza.

Presença no 10° Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio
Divulgação – foto fornecida pelo Grupo de Mulheres da Cooperativa Veiling Holambra

Hoje, seu pequeno projeto familiar se transformou em uma produção consolidada, com milhares de metros quadrados de estufas e reconhecimento no mercado ornamental. Atualmente a estância tem cerca de 40.000 metros quadrados de estufas, onde são produzidos Caladium, Aglaonema, Syngonium, Euphorbia e Dracena, além do desenvolvimento contínuo de novas variedades ornamentais, com um trabalho autoral de melhoramento genético realizado por meio de polinização manual. Todo o processo acontece dentro da própria produção, sem uso de laboratório externo, sendo baseado na observação prática, na experiência adquirida ao longo dos anos e na seleção criteriosa das plantas matrizes. Ao longo dos anos, inúmeras novas variedades foram desenvolvidas.Após um processo rigoroso de seleção e testes em cultivo, parte dessas variedades é introduzida na produção em escala comercial com novos formatos e combinações de cores, plantas mais vigorosas, maior rusticidade, melhor adaptação ao cultivo e resistência natural a pragas e doenças. Seu mais recente melhoramento genético é um Caladium, da variedade Lança (mais resistente ao frio, mais compacta e ideal para cultivo em vasos), que está na produção em escala comercial e será lançado em setembro. Fornece mudas do seu portfólio para produtores de diversas regiões e vende os produtos finais diretamente ao mercado, por meio do ponto de vendas no Ceaflor (Jaguariuna, SP).

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Sejam bem vindos ao nosso mundo! Sou mãe de Alice e me tornei mãe aos 41. Venha viver as nossas venturas, aventuras e desventuras! Trabalho fora, sou mãe, professora, administradora. Hoje em dia tento manter a sanidade!

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