Arquitetas especialistas em Feng Shui explicam como a organização e o posicionamento da mesa influenciam desempenho profissional, clareza mental e bem-estar durante o trabalho.
Muitos dizem que o ano só começa depois do Carnaval e, embora não seja uma regra, retomar a rotina de trabalho após as festas e as férias costuma exigir mais foco, especialmente em um cenário marcado pelo excesso de distrações constantes. Um estudo do Microsoft Work Trend Index 2025 indica que profissionais são interrompidos, em média, a cada dois minutos por notificações, o que contribui para a dispersão da atenção. Nesse contexto, o Feng Shui, técnica chinesa milenar de harmonização de ambientes, pode trazer ajustes simples na mesa de trabalho para aumentar o desempenho profissional.
Segundo Belisa Mitsuse e Estefânia Gamez, arquitetas especialistas em Feng Shui e sócias do BTliê Arquitetura, a mesa representa simbolicamente o local de comando, onde decisões são tomadas, ideias são desenvolvidas e metas ganham forma. “A maneira como a mesa está posicionada e organizada influencia diretamente a forma como a pessoa se sente enquanto trabalha e como ela pode ser percebida pelos outros. Quando o espaço oferece segurança e clareza, o rendimento tende a ser maior”, explica Tef.
As especialistas explicam que, nos casos em que não é possível fazer grandes modificações no escritório ou local de trabalho, uma ótima alternativa é começar pela própria mesa. “A forma como nos relacionamos com o espaço de trabalho influencia diretamente a maneira como nos relacionamos com o próprio trabalho. Mesmo em mesas pequenas ou compartilhadas, ajustes simples podem trazer mais clareza, foco e produtividade”, explica Bel.
Entre os pontos considerados essenciais pelas profissionais, estão:
1 – Posicione a mesa de frente para a porta e tenha um apoio atrás da mesa
Um dos pontos mais importantes é a posição de comando, que recomenda que a pessoa consiga visualizar a porta do ambiente enquanto trabalha, sem ficar alinhada diretamente a ela. Essa configuração transmite sensação de preparo para lidar com demandas externas. “Quando alguém trabalha de costas para a porta ou em locais de passagem constante, o corpo entra em estado de alerta, o que pode gerar ansiedade ou dispersão”, explica Tef.
Outro aspecto destacado pelas profissionais é a importância de ter apoio atrás da mesa, como uma parede ou móvel firme, como uma estante de livros. Esse elemento simboliza sustentação e respaldo profissional. “No Feng Shui, o que está atrás da gente importa muito. Um bom apoio ajuda a criar sensação de estabilidade, segurança e confiança para lidar com desafios do trabalho”, afirma Bel.
2 – Iluminação adequada e o uso consciente de objetos
As especialistas explicam que, se possível, a mesa deve receber luz natural bem direcionada. Isso evita sombras excessivas e reflexos nos olhos, favorecendo a clareza mental e reduzindo o cansaço. Já em relação aos elementos que representam objetivos profissionais, Tef explica que eles podem ser usados de forma pontual. “O importante é não gerar excesso de estímulos. O Feng Shui não é sobre encher a mesa de símbolos, mas sobre criar um espaço que sustente foco, criatividade e bem-estar”, destaca.
A organização e limpeza da superfície da mesa também é fundamental. “O acúmulo de papéis, objetos sem uso, decorações que te lembrem coisas ruins ou itens quebrados podem bloquear o fluxo de energia e refletir confusão mental”, explica Bel, reforçando ainda que tudo o que está disposto na mesa deve fazer sentido para o trabalho que a pessoa realiza.
3 – Aplique o Baguá à mesa de trabalho
No Feng Shui, o Baguá é um mapa energético que divide o espaço em áreas relacionadas a diferentes áreas da vida. Assim, quando é aplicado à mesa de trabalho, cada área pode ser ativada de forma intencional e equilibrada.
As arquitetas explicam que o primeiro passo é imaginar a mesa dividida em nove partes iguais, como uma grade de três por três. “A borda da mesa que fica mais próxima de você representa a base do baguá. A partir daí, cada área corresponde a um aspecto da vida profissional”, explica Bel, reforçando que, ao entender qual é cada área da mesa, pode-se ativar esses pontos com objetos, cores ou símbolos, sem precisar mudar o espaço inteiro.

Confira as orientações das especialistas sobre cada área da mesa:
Trabalho e carreira (base central): Essa área está ligada ao foco, ao fluxo e à vida profissional. Pode ser ativada com objetos em tons escuros, materiais lisos ou itens que remetem ao movimento. É um bom local para o computador ou agenda principal.
● Sabedoria e conhecimento (base esquerda): Relacionada ao aprendizado e à tomada de decisões. Livros, cadernos, um bloco de anotações ou um objeto que represente os estudos.
● Amigos e networking (base direita): Área ligada a parcerias, apoio e oportunidades. Pode receber cartões de visita, uma lista de contatos ou um objeto simbólico que represente conexões profissionais.
● Família e base emocional (meio esquerdo): Na mesa, essa área fala de sustentação. Fotos discretas, um objeto de madeira ou algo que traga sensação de estabilidade ajudam a fortalecer essa energia.
● Saúde e equilíbrio (centro da mesa): É o ponto de equilíbrio geral. Ideal mantê-lo livre, limpo e funcional. A mesa entulhada no centro costuma indicar sobrecarga e dificuldade de organização mental.
● Criatividade e projetos (meio direito): Relacionada a ideias, inovação e novos caminhos. Pode ser ativada com objetos claros, metálicos ou que representem inspiração, como um caderno criativo.
● Prosperidade (topo esquerdo): Área ligada a crescimento e reconhecimento material. Pode receber um objeto que represente metas financeiras, como um símbolo da abundância, por exemplo.
● Sucesso e visibilidade (topo central): Relacionada à reputação e reconhecimento. Boa área para prêmios, certificados ou uma luminária.
● Relacionamentos profissionais (topo direito): Fala de convivência, acordos e relações no trabalho. Pode ser ativada com objetos em pares ou itens que simbolizam cooperação e diálogo.
Sobre Bel e Tef: Belisa Mitsuse (Bel) e Estefânia Gamez (Tef) são arquitetas formadas pela FAU Mackenzie que encontraram, na união entre técnica e espiritualidade, uma maneira inovadora de atuar no mercado. A amizade profissional das duas começou em um escritório de arquitetura, onde trabalharam lado a lado, e se transformou em uma parceria que culminou na criação do BTliê Arquitetura, em 2014.
Inspiradas por sua ascendência japonesa e com uma curiosidade latente pela cultura oriental, Bel e Tef mergulharam no universo do Feng Shui, integrando seus conceitos aos fundamentos sólidos da arquitetura. Esse diferencial permitiu que a dupla desmistificasse práticas supersticiosas e trouxesse uma abordagem prática e transformadora para o mercado brasileiro, rompendo com a visão cética tradicional. Além dos projetos personalizados, voltados para promover harmonia e bem-estar, as sócias expandiram sua atuação com a criação do curso Projetando com Feng Shui, a primeira formação reconhecida pelo MEC nessa área. Com ele, impactaram não apenas a vida dos clientes, mas também a carreira de outros arquitetos e designers que buscam integrar propósito e técnica em seus projetos.