Da primeira suspeita ao diagnóstico, neurologistas explicam os sinais que merecem atenção, como funciona a investigação e os desafios enfrentados por pacientes e familiares
Quando o Alzheimer aparece, a mudança não acontece apenas na vida de quem recebe o diagnóstico. Aos poucos, a rotina de toda a família pode ser afetada. O que antes era feito sozinho pode passar a precisar de acompanhamento, consultas entram na agenda e decisões sobre tratamento e cuidados passam a ser compartilhadas. Muitas vezes, são os familiares que primeiro percebem que alguma coisa mudou e precisam entender o que fazer diante desses sinais.
“Envelhecer pode trazer algumas mudanças na memória, mas perder autonomia, repetir constantemente as mesmas perguntas, ter dificuldade em realizar tarefas que antes eram habituais, desorientar-se ou apresentar mudanças importantes de comportamento não devem ser considerados simplesmente ‘coisa da idade’”, explica o neurologista Dr. Pedro Braga do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva. Perceber essas mudanças pode ser o primeiro passo para procurar ajuda e entender se elas fazem parte do envelhecimento ou precisam ser investigadas.
A família também pode ajudar muito nesse momento, principalmente porque quem convive diariamente com a pessoa costuma notar mudanças que nem sempre são percebidas por ela mesma. “Quando as pessoas conhecem os fatores de risco, os sinais de alerta e sabem quando procurar ajuda, aumentamos as possibilidades de diagnóstico adequado e de acompanhamento no momento certo”, afirma a neurologista Dra. Juliana Guimarães do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva. Ter informação ajuda a família a saber quando procurar orientação e a acompanhar mais de perto o que está acontecendo.
É justamente para levar esse tipo de informação a pacientes, familiares e cuidadores que a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) promove uma mobilização nacional pelo Setembro Lilás no dia 20 de setembro. As ações serão realizadas em sete cidades: São Paulo, na Avenida Paulista, em frente ao Prédio da FIESP, das 8h às 12h; Rio de Janeiro, no Aterro do Flamengo, das 8h às 12h; Belo Horizonte, no Parque Ecológico da Pampulha, das 8h às 12h; Porto Alegre, no Parque Moinhos de Vento (Parcão), das 8h às 12h; João Pessoa, na Orla, das 8h às 12h; Recife, no campus da UFPE, das 7h às 11h; e Fortaleza, na Avenida Beira-Mar, na Praia de Iracema, das 7h às 11h.
As atividades incluem caminhadas, exercícios e orientações, reunindo neurologistas, estudantes, pacientes, familiares, cuidadores e população em espaços públicos. A mobilização busca levar informação para quem convive com o Alzheimer e mostrar que reconhecer os sinais, procurar ajuda e entender a doença também pode fazer diferença para quem está ao lado do paciente.
Sobre a ABN: A Academia Brasileira de Neurologia é a entidade representativa dos neurologistas brasileiros, fomentando a pesquisa e garantindo as melhores práticas clínicas para a saúde cerebral da população.